quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Novas mídias demandam novos profissionais


Hoje, mais do que nunca o mercado de trabalho tem mudado. A área de tecnologia da informação é a que apresenta o maior crescimento. Mas, sob o paradigma informacional, os tipos de emprego mudam em quantidade, qualidade e na natureza do trabalho executado. A velocidade com que a tecnologia vem afetando toda a estrutura de mais variadas carreiras é algo nunca visto antes. A formação do profissional atualmente está condicionada à relação com os avanços da tecnologia, especialmente as Tecnologias de Informação e Comunicação. Quando se fala em convergência de mídias, o que logo se imagina é a possibilidade de integração de várias mídias em um único meio de comunicação. O principal, e mais utilizado, é o computador, que acaba por reunir todos os meios de comunicação básicos: o vídeo, o som e o texto. Mas convergência vai além do que um computador. Celulares, televisores, aparelhos portáteis como mp3 e ipods também permite a integração de todas essas mídias. O profissional hoje também acaba interagindo em blogs e redes sociais, o que acaba por ajudar na comunicação interna da empresa.

No cenário atual, permeado pelo avanço cada vez maior da tecnologia, o usuário acaba ganhando autonomia dentro do seu próprio trabalho. O profissional da informação tem que adotar uma nova postura, pois além de ter um novo e amplo campo de atuação, tem que lidar com a complexidade dos novos sistemas de informação e das demandas por parte do público. Além das mudanças de perfil, esse profissional deve adaptar-se aos novos modelos organizacionais e de gestão de trabalho. O próprio mercado exclui aqueles que não estão familiarizados e preparados no manejo das novas ferramentas tecnológicas. As contínuas mudanças nas estruturas das empresas e na própria tecnologia e metodologia de trabalho exigem dos trabalhadores a possibilidade de adaptação e aprendizagem. Muitas pessoas pensam que é apenas a área de humanas atingida por esse turbilhão de informações e avanços tecnológicos, o que acaba não sendo verdade.


Segundo o estudante de webdesigner, André Lemos, o profissional dessa área tem a obrigação de sempre se manter atualizado com os lançamentos de novos produtos e softwares. A prática do webdesigner depende da demanda de trabalhos gerados pela própria empresa que atua. “Geralmente estamos envolvidos na aprendizagem de criação de layout para novos sites ou reformulação de sites antigos. Também praticando intensamente o desenvolvimento de peças publicitárias exercitando muito a criação de animações em flash. Muitos julgam maçantes essas práticas, mas sinto prazer não só em executar a tecnologia que hoje é proposta como estar envolvido dentro dela”, explicou André.

O Professor de mídias digitais da Universidade Estácio de Sá, Ricardo Severiano, aponta para a importância da readaptação da sociedade e principalmente dos profissionais com o mundo tecnológico. Ricardo Severiano dá a dica: “O profissional tem que trabalhar em sintonia com essas novas ferramentas. Não é uma concorrência e sim outro modelo econômico de trabalho. Quanto mais experiências dominarmos da técnica melhor para nós mesmos. Em qualquer nível social ou cultural atualmente não fugimos da tecnologia. No cenário em que se encontramos ocorrerá uma seleção natural, onde os que não se adaptarem ficaram de fora do mercado hoje, não importando a área que pretenda atuar”.

Em meio a inúmeras possibilidades de profissões, o que fica evidente é que, seja qual for à escolha, o mais importante é saber se adaptar e caminhar junto a esses avanços que a tecnologia propõe.“O novo profissional deve apresentar características que potencialize a comunicação, como a flexibilidade, absorção e troca de conhecimento. Além dessa gama de competências, também lhe é exigida a capacidade de desenvolver várias tarefas ao mesmo tempo, tornando-se um trabalhador multifuncional, que saiba operar na maioria de mídias diversas”, ressalta Ricardo Severiano.

Marcos Nähr, formado em Design Gráfico, consultor de conteúdo para o Global e-commerce da Dell Computadores e professor da Comunicação Digital da Universidade do Vale do Rio dos Sinos destaca que a grande convergência de mídias na vida do novo profissional de comunicação é um caminho sem volta. Segundo Marcos, o profissional que só entender de um veículo está fadado a trazer resultados limitados, porque é difícil atingir todo o público desejado utilizando-se apenas um tipo de mídia.  Ele destaca que a resposta para as necessidades atuais está justamente na convergência. “Não devemos empurrar uma determinada mídia para os clientes e usuários, devemos sim entender qual o mix que melhor atende a demanda.

O profissional deve assumir frente a essas novas mídias uma postura de atualização tecnológica e reciclagem de conceitos constante. A constante evolução propicia uma busca de aprimoramento deste aspecto da relação do usuário/consumidor com estas novas mídias. No entanto, também pode ser citada como ponto negativo, uma vez que não se tem muito tempo para aprimorar-se de todos os aspectos envolvidos em uma experiência tecnológica”, avalia Marcos.

                               


As possibilidades que um profissional da informação tem de ingressar e se estabelecer em novas fatias de mercado de trabalho está cada vez mais atrelado à sua bagagem profissional, trabalhos realizados, experiências e no seu domínio com as novas mídias da informação. Dificilmente um profissional da informação ou de qualquer área de atuação tem condição de reunir todo conjunto de habilidades, conhecimentos e competência exigida pelo atual mercado de trabalho. No entanto a busca pela constante requalificação e aprimoramento tem que ser cada vez mais intensa para os que querem melhores condições e sucesso profissionalmente.

Interatividade: Ouça aqui uma entrevista com o Webdesign, Marcos Nahr, logo após uma palestra ministrada por ele sobre Tecnologia nos novos meios sociais. Clique Aqui

Não podemos esquecer que para conseguir um bom espaço no mercado de trabalho, os estudantes precisam de uma boa educação ligada desde cedo a tecnologia. Um dos projetos mais bacanas ministrados pelo governo nos últimos anos  foi  o projeto Computador Portátil para Professores. Esse projeto foi elaborado em continuidade ao projeto Cidadão Conectado ? Computador para Todos, sendo também parte integrante das demais iniciativas de qualificação da educação brasileira. O projeto é resultado da articulação entre o setor privado - indústria de computadores e bancos - e o setor público, por intermédio da Presidência da República, Ministério da Educação - MEC, da Ciência e Tecnologia ? MCT, e da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos - ECT, destinado aos professores em atividade do ensino básico, profissional e superior das instituições credenciadas junto ao MEC. O objetivo central do programa é facilitar aos professores a aquisição de computadores portáteis e ingressar cada vez mais todos a tecnologia da informação. O professor do ensino ténico Tiago de Mello comenta sobre essa ação adotada pelo governo



 


Nosso bom (nem tanto) e velho pc

Apesar de não sermos tão experientes, nossa geração ainda pegou a era da máquina de escrever, ou seja, a era do “não computador”. Estamos falando do final dos anos 80 e início dos 90. Nesta época, ninguém era escravo do computar, e principalmente, da internet. Não dormíamos e acordávamos pensando em ligar o computador pra saber quem deixou um recado novo no Orkut ou se chegaram piadinhas na caixa de e-mail. Quase tudo era manual. Nossos deveres de colégio eram caprichosamente feitos à mão. Por falar em trabalhos feitos manualmente, nossa letra também não escapou dos efeitos negativos do uso constante de teclados. Se antes, nossas mães e professoras nos faziam usar o caderno de caligrafia, para aperfeiçoar nossa letra, hoje as crianças nem sabem o que é ter um caderno desses. E isso não é difícil de perceber.

Minha turma da faculdade já foi testemunha da reclamação dos professores por conta dos garranchos indecifráveis nas provas. Ô saudade! Saudades sim, por que não? Pode parecer exagero, mas sim, era um tempo bom aquele em que escrevíamos mais e logo, exercitávamos mais o cérebro. Não dependíamos da tecnologia tanto como nos dias de hoje.

Apesar do surgimento do computador pessoal e da internet terem sido um importante avanço para a sociedade, eles trouxeram consigo o que quase toda invenção tecnológica traz: malefícios.
No início tudo são flores, nossa vida só melhora e fica mais prática, mas com o passar dos anos começamos a sentir os efeitos colaterais do uso abusivo desses equipamentos eletrônicos. Para não pensarem que estamos colocando toda a culpa nas máquinas, devo confessar que nós, usuários, temos uma parcela grande de culpa, pois além de exagerarmos no uso da tecnologia, nós a usamos de maneira errada, o que acarreta uma série de problemas e atrofismos físicos e mentais.




Quem nunca ouviu falar em stress? Essa palavrinha muito comum nos dias de hoje também é causada pela quantidade de horas que ficamos diante da tela do computador, seja no trabalho ou em casa A tela dos computadores fazem mais mal que a da tv, pois sua resolução é maior, além disso ficamos muito mais próximos dela. A má postura, outra vilã,  provoca dores – e em casos mais graves inflamações - nas costas, nos ombros e nas mãos, esse desconforto muscular é conhecido como L.E.R (Lesão por Esforço Repetitivo).

Agora, uma pausa para uma pergunta. Vocês sabem o que pode incomodar uma mulher vaidosa? A maioria dever ter pensado na celulite, mas apesar dos furinhos serem odiados por todas não é disto que estamos falando. O problema estético ao que nos referimos são as varises. O que isso tem a ver com tecnologia? Tudo! Ficar sentado por muito tempo digitando atrapalha a circulação do sangue, conseqüentemente favorecendo o aparecimento daquelas veias em nossas pernas. Por isso, é recomendável fazer alongamentos e alguns intervalos para esticar as pernas.




Para os mais dependentes desta ferramenta, o isolamento também é uma conseqüência ruim. Essas pessoas evitam fazer qualquer atividade externa, como sair com os amigos para tomar um chopp, ir ao cinema, conhecer pessoas novas, por exemplo. Os adolescentes e os workaholics – termo usado para designar os viciados em trabalho - são quem mais pode sofrer este fenômeno, e ficam conhecidos como “o eremita”. Sabemos que não há muito para onde correr, nosso trabalho e estudo dependem do computador, mas não é por isso que temos que colocar esta máquina no centro de nossa existência. Lembre-se o computador deve nos servir e não o contrário.

Brincadeira de criança?

O mundo virtual modificou a sociedade em vários aspectos, inclusive na forma de diversão das nossas crianças. Antigamente as meninas se entretinham comprando casa, carro, roupas para a famosa Barbie que era unanimidade entre as crianças do sexo feminino. Então veio o avanço tecnológico e levou a diversão para o ciberespaço. As bonecas continuam agradando, mas agora elas estão online.

Mundo Bimbo




Desta nova geração de bonecas online, uma está causando grande discussão na França, Grã- Bretanha e Inglaterra, a Miss Bimbo. O jogo que é voltado para crianças a partir de sete anos e tem como objetivo a busca pela imagem de um corpo ideal.  A polêmica tem início com o nome do game “bimbo” é uma gíria americana que significa “mulher promíscua”. As meninas devem competir entre si para descobrir quem é a mais bem vestida e popular. Caso ganhe a competição elas conseguem bimbo-dólares que devem ser investidos em beleza. Para atingir o nível de beleza considerado ideal elas devem, por exemplo, colocar silicone, aumentar os lábios e fazer bronzeamento artificial, além de seguir dietas rigorosas. Quando o site estreou em 2008 as bimbos podiam utilizar pílulas para o emagrecimento. Depois do bombardeio de críticas na mídia, o site tirou os remédios da lista de compras.

Larissa Mendonça, de 12 anos é usuária do site há sete meses. Ela tem quatro contas no jogo e loga várias vezes ao dia. Segundo ela sua mãe não vê problema em relação ao jogo, contanto que a filha freqüente as aulas e tire boas notas. Quando perguntada se o site influenciava os usuários Larissa opina “O site não obriga você a fazer nada. O que tem no jogo não é diferente do que vemos no dia-a-dia. Acho o jogo realista. O mundo é assim! Quem não gostaria de ser linda e rica? Infelizmente isso pra mim não é possível, então eu faço isso no jogo. As bonecas não usam drogas ou roubam, elas apenas tentam se tornar bem sucedidas.”

 Valores passados no game podem ser levados para a vida real

As meninas que por acaso quiserem um atalho para a popularidade no game, têm a opção de lutar por um namorado bilionário. Muitos pais se preocupam e acreditam que o site pode passar a mensagem errada as crianças e jovens. A psicóloga Cláudia Freire Vaz acredita que o site pode ser prejudicial às crianças “A brincadeira, principalmente o faz de conta, tem o papel de fazer com que a criança ensaie a realidade. Quando a criança brinca de mãe e filha, nessa brincadeira ela expõe o que elas entendem como um comportamento de mãe e filho. Hoje em dia elas começam a desenvolver valores cada vez mais cedo. Esse tipo de jogo faz com que elas assimilem, queiram ser assim. Elas acham normal esse tipo de atitude. Além disso, o nome do site, também desvaloriza a mulher, processo já banalizado por alguns Funks e Hip Hop’s ”

Site pode levar a gastos financeiros

Outro fator considerado prejudicial é a possibilidade de se comprar “bimbo-doláres” com cartão de crédito ou através de mensagens sms enviadas por celular. Cada mensagem custa aproximadamente R$5.
Segundo o jornal The Guardian, na França, onde o website surgiu, um homem ameaçou os criadores da página com um processo depois que sua filha gastou cerca de R$350 sem que ele soubesse. Nicolas Jacquart, responsável pelo site, alega que o jogo é uma diversão inofensiva “(o site) não é uma má influência para crianças. Elas aprendem a cuidar de suas bonecas. As missões e metas são moralmente sólidas e ensinam crianças sobre o mundo real”, disse o web designer de 23 anos ao Guardian.

O mundo dos negócios associado a Tecnologia

As empresas estão associadas a tecnologia há muito tempo e algo que possa vir a acelerar a sua linha de produção pode ajudar ainda mais. Com a chegada dos computadores, no século XX, a promessa era de uma nova época, a da tecnologia da informação. Pensando em usufruir dos benefícios , as empresas teriam que se adaptar a nova estrutura da informação. Um exemplo disso, é que nos dias atuais, a maior parte dos negócios são feitos por computadores pessoais ou através de aparelhos de comunicação. Essas máquinas da informação, mais conhecidos como computadores, oferecem às empresas uma maneira de organizar entupidos banco de dados, agendas pessoais e diversas outras forma de informação essencial.




Assim que a informação passa a ser mais rápida e de maneira mais confiável, rompem as barreiras impostas pela distância, e as empresas compreendem o quanto é fácil terceirizar empregos para o exterior. A terceirização é a contratação de funcionários que trabalham fora da empresa ou a distância, podendo ser até do outro lado do mundo. Tarefas como, a programação de computadores ou atendimento telefônico a clientes, pode ser terceirizado, por exemplo, não se surpreenda se descobrir que está fazendo seu pedido de sanduíches a um atendendo em outro país. A terceirização é uma prática controversa, em que acredita-se que as empresas norte-americanas que recorrem a ela poderiam estar prejudicando o mercado de trabalho em seu país. Mesmo com esses dados, esta parece ser uma forma mais sensata, proporcionando às empresas economias entre 30% e 70%.

Uma outra forma de tecnologia que está começando a revolucionar o mundo dos negócios -  não tão nova assim, ma que ficou mais barata-, é a tecnologia de Identificação por Rádio Freqüência (RFID), está começando a ser usada de forma mais significativa nos negócios, de maneiras diferentes. São microchips capazes de fazer o amarzenamento de informações ( como um número equivalente a um código de barras e até uma história atualizada dos caminhos que o chip mesmo seguiu), estes podem ser fixados nos produtos, ajudando as empresas a controlar seus estoques.

Empresas começaram a fazer uso de chips RFID implantados em seres humanos para fazer o reforço da segurança.Um leitor de controle de acesso verifica o sinal do chip e permite o acesso do funcionário. Mas o que está sendo motivo de preocupação para muitas pessoas e a questão de privacidade, que isso pode envolver caso a prática seja difundida.

Os  aparelhos portáteis como os blackberries se tornaram imensamente populares nas empresas porque permitem que os usuários verifiquem e enviem e-mails de qualquer lugar, e naveguem pela internet. Por meio da Internet, ficou mais fácil de as pequenas empresas se desenvolverem. Caso você seja uma dona de casa que sabe fazer biscoitos deliciosos, é fácil vendê-los pela Internet e enviá-los aos seus clientes.



Muita internet e pouco sono


Estar conectado ao universo virtual é quase uma unanimidade entre os jovens. Usada como forma de comunicação, trabalho e entrenimento a rede que tanto nos beneficia tem seu lado prejudicial. Uma recente pesquisa feita por Gema Mesquita da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) revelou que o uso da Internet prejudica sono dos jovens. O problema está no fato desse público usar a Internet à noite. Hábito que está causando problemas de sono e no rendimento estudantil.

A pesquisa, que entrevistou 160 adolescentes entre 15 e 18 anos, concluiu que 65% dos jovens usam computador à noite e, desse total, cerca de 76% utilizam o PC entre 18h e 6h. Enquanto isso, 90,4% utilizam nos fins de semana das 17h às 3 horas da madrugada.


Em seu artigo "Uso noturno de computador por adolescentes: seu efeito na qualidade de sono", Rubens Reimão, orientador do mestrado de Gema Mesquita afirmou que  o uso abusivo do computador faz com que os usuários apresentem  elementos de distúrbios do sono, tendo dificuldades para adormecer e para acompanhar as tarefas escolares no dia seguinte.  Usando o Indicador de Qualidade de Sono Pittsburgh (IQSP), o estudo, feito com 55 meninos e 105 meninas de dois colégios da cidade mineira de Alfenas, conclui que 72,6% dos usuários noturnos de computador dormem mal. Enquanto isso, do grupo que não usa o PC à noite, 50% têm má qualidade de sono. Entre os internautas noturnos, 43,3% têm dificuldade ou indisposição para acompanhar tarefas diurnas, contra 23,2% dos não-usuários. A média geral do IQSP para quem usa o computador a noite foi de 6,2 acima do normal, já que a marca permitida é até 5 IQPS. A insônia é o mais comum entre os distúrbios do sono. Esses adolescentes demoram para pegar no sono e têm padrões de sono degradados, que vão de duas horas a seis horas por noite

A pesquisa incluiu também dados sobre a avaliação escolar dos alunos, que não foram incluídos no artigo. A idéia da pesquisadora Gema Mesquita agora é avaliar em sua tese de doutorado o impacto do uso noturno do PC entre o público de 18 a 25 anos de idade.

domingo, 22 de novembro de 2009

Vício em internet já é comparado a dependência química

Conheça o problema e veja instituições que oferecem tratamento

Anderson* é um adolescente normal como qualquer outro. Ele passou a ter problemas na escola, seu desempenho estudantil não era dos melhores e por causa disso procurou a evitar o colégio. Não usava a saúde, desculpa clássica para evitar as aulas, para fugir dos recorrentes fracassos. Ele escolheu outro caminho, o virtual. Foi no ciberespaço que ele encontrou um jeito de evitar as conseqüências do mau desempenho na escola. Lá ninguém o julgava ou o cobrava por nada. Esse meio tão aconchegante se transformou na fuga de Anderson. Mais tarde, esse foi o tormento em sua vida e de sua família

Esse é um exemplo clássico identificado por psicólogos que tratam os viciados em Internet. Ou seja, a pessoa usa a rede mundial para suprir uma carência que tem na vida real. O vício em Internet nasce, na esmagadora maioria das vezes, assim. Não há nenhuma pesquisa brasileira sobre o tema, mas um levantamento realizado pela Universidade La Salle , nos Estados Unidos, estimou em 50 milhões o número de viciados em Internet. De acordo com o Internet World Stats, 1,3 bilhão de pessoas usam Internet no mundo todo.

Anderson passou a freqüentar Lan Houses onde varava noites acordado. Quando dormia, era picado e sobre o teclado. A alimentação e higiene passaram a ser sistematicamente negligenciados e os amigos que tinha na vida real eram ignorados. Somente os amigos virtuais tinham alguma relevância na sua precária vida social. O problema escolar se agravou e o desespero da família também, sobretudo porque o rapaz ficava arredio quando era impedido de usar o computador.


"Quem passa por esse problema geralmente fica agressivo, briga com os pais e fica realmente atormentado quando está sem o computador", afirma a psicóloga Sylvia Van Enck Meira, voluntária da equipe do AMITI (Ambulatório dos Transtornos do Impulso) do Hospital das Clínicas. O hospital já tem uma equipe que presta assistência a pessoas viciadas em Internet. O tratamento tem diversas etapas e é multidisciplinar. Os pacientes passam por avaliações que irão nortear a abordagem usada para tratar o problema. Há casos em que o viciado é tratado individualmente ou em grupo, a depender da gravidade da situação.

Na opinião de Sylvia, as mesmas motivações que levam alguém a se drogar podem levá-lo ao vício no ciberespaço. "A maioria é formada por pessoas sem perspectiva de futuro que acabaram por se envolver com isso", diz ela. A médica revela que os casos não têm exatamente um perfil fixo. Há atendimentos para adolescentes, adultos e até idosos viciados em Internet. Os interessados em procurar ajuda no Hospital das Clínicas podem fazer isso de duas formas: por meio da página específica montada pelo hospital ou pelo telefone 11- 3069-6975.

Como identificar este problema?

No mundo corporativo contemporâneo, o acesso à Internet é praticamente fundamental e muitos profissionais passam quase todo o tempo em que estão no escritório conectados à rede. Isso não faz de ninguém um viciado. "Há profissionais que passam o dia na rede. Um webdesigner pode ficar 14 horas na rede por causa do trabalho. O que determina o vício é a qualidade de uso. É possível diagnosticar o vício com base na repetição do uso. Por exemplo, uma pessoa fica três horas conectada e usa, o Orkut, o MSN, checa e-mails, lê notícias e pesquisa temas. É diferente de alguém que fica três horas conectado e só acessa sites de sexo em busca de possíveis parceiros sexuais ou conteúdos desse tipo", explica a psicóloga Andréa Jotta, pesquisadora do NPPI (Núcleo de Pesquisa da Psicologia em Informática) da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo).

O NPPI tem um sistema on-line de atendimento para viciados em Internet. Quem tiver interesse em buscar a orientação dada pelo núcleo pode entrar em contato pelo endereço eletrônico nppi@pucsp.br. Andréa diz que o padrão baseado no tempo de conexão já não é tão utilizado para se configurar o vício justamente em função das demandas profissionais e da qualidade de uso. Tanto ela quanto Sylvia dizem que o viciado é identificado quando o uso da rede passa a ser feito em detrimento dos compromissos que a pessoa tem na vida real. "O referencial é esse, a pessoa deixa de fazer as coisas na vida dela para ficar na Internet. Deixa de cuidar da vida social, do trabalho, dos estudos, em função da rede. Ou seja, o uso que faz da Internet é abusivo e compromete a vida", resume Sylvia.


De acordo com Andréa, o modus operandi do viciado varia um pouco de acordo com o perfil da pessoa. Homens tendem a procurar parceiras sexuais e gastam muito tempo em sites com conteúdo erótico. Por outro lado, as mulheres tendem a procurar sites de relacionamentos, como o Orkut, e gastam muito tempo em salas de bate-papo ou usam muito softwares de conversas instantâneas, como o MSN.

Sylvia afirma que o vício em Internet pode ser a porta para outros vícios. "Abre a possibilidade para uso de drogas, ou para o aumento do uso em quem já consumia. Alguns se utilizam delas para se manter acordado, usam energéticos", declara ela. Sylvia diz ainda que a alimentação empobrecida dos viciados também é um fator de risco e o início de um ciclo vicioso. "Vemos casos de pessoas que se tornam obesas pela alimentação precária aliada à falta de movimentação. Essas pessoas passam a ter a auto-imagem comprometida, não querem correr o risco de se expor em público e nem de se relacionar fora do ambiente virtual. Têm vários amigos no Internet e nenhum fora. Os viciados se isolam, perdem emprego, imaginam que não serão mais aceitos e aí buscam cada vez mais conforto na Internet", alerta Sylvia.

Existem formas diferentes de abordar o viciado. O consenso é que a conversa é sempre a melhor maneira de iniciar uma aproximação e assim, tentar demonstrar para o viciado os malefícios de sua atitude. Andréa recomenda que, no caso dos adolescentes, os país façam valer sua autoridade. "Cabe aos pais o controle. Em princípio você pode dialogar, mas se chegar a uma situação extrema, é preciso impor a autoridade", recomenda ela. Mas por autoridade, não leia-se radicalismos. Sylvia lembra que um de seus pacientes sofreu de uma espécie de síndrome de abstinência quando foi proibido pelos pais de usar o computador. Arredio, buscou acesso na casa de amigos e por fim, passou a vender objetos de casa para poder financiar sua permanência em Lan Houses.

Para os adultos, Andréa recomenda muita conversa e em último caso a busca por ajuda especializada. "É preciso conversar porque muitas vezes o adulto não se dá conta do problema que atravessa. Mas é preciso insistir, envolver outras pessoas da família e conversar muito. Se depois de tudo isso o problema não for resolvido, busque ajuda médica", recomenda ela.

• Nome fictício

Fonte: http://www.alternanet.com.br/main.asp?link=noticia&id=11